ANJO NEGRO de Nelson Rodrigues, com a lembrança de uma revolução: A MISSÃO de Heiner Müller
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©Lenise Pinheiro

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©Ana Fuccia

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ANJO NEGRO de Nelson Rodrigues, com a lembrança de uma revolução: A MISSÃO de Heiner Müller

©Marília Halla

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Teatro | CRIAÇÃO | 2006

FRANK CASTORF

Anjo Negro
de Nelson Rodrigues, com a lembrança de uma revolução:
A Missão, de Heiner Müller

Nelson Rodrigues tinha medo de avião e nunca pôs os pés fora do Brasil. Sua criação, no entanto, ultrapassou, não de hoje, as fronteiras do país, conquistando admiradores em terras distantes do subúrbio carioca, tão obsessivamente dissecado pelo dramaturgo. Um desses admiradores é o alemão Frank Castorf, que desde 1992 responde pela direção do lendário teatro Volksbühne de Berlim. Castorf, já conhecido no Brasil por suas encenações Estação Terminal América (de Tennessee Williams) e Na Selva das Cidades (de Brecht), encena na capital paulista uma fusão de Anjo Negro, de Nelson Rodrigues, com trechos de A Missão: Lembrança de Uma Revolução, de Heiner Müller, com elenco e equipe técnica brasileiros. A primeira leitura cênica de uma obra de Nelson Rodrigues dirigida por Castorf ocorreu em abril de 2006, em Berlim. A Falecida teve quatro apresentações, com grande sucesso de público. Depois de sondar em Berlim o texto rodrigueano com elenco alemão, o diretor aceitou o desafio de encenar Anjo Negro em São Paulo, com atores brasileiros. A partir de um conjunto de nomes sugerido pelo também diretor Antonio Araújo, do Teatro da Vertigem, Castorf montou um elenco integrado por veteranos e jovens atores: a cantora Denise Assunção (que como atriz já fez parte do Teatro Oficina),Georgette Fadel (da Cia. São Jorge de Variedades), Roberto Áudio (Teatro daVertigem), Darcio Ribeiro (Teatro dos Narradores), Janaina Leite (Grupo XIX deTeatro) e um coro de jovens atores e atrizes da Cia. Filhos de Olorum (EAD-USP). “O que gosto em Nelson”, disse o Castorf, “é seu jeito peculiar de escrever tragédias de uma forma igualmente cômica, revelando aspectos íntimos do comportamento humano - é uma dramaturgia moderna para as décadas em que foi produzida. O teatro e a dramaturgia brasileira têm pouca tradição na Alemanha. Os dois nomes mais conhecidos são Nelson Rodrigues e Plínio Marcos – mesmo Augusto Boal é mais citado como pedagogo do que como dramaturgo. Tento promover um intercâmbio entre as duas tradições teatrais”. A montagem cruzada de Anjo Negro, de Nelson Rodrigues,  e A Missão, de Heiner Müller, é um exemplo prático desse intercâmbio. Encenada pela primeira vez em abril de 1948, dois anos depois de ter sido escrita, Anjo Negro foi recebida com críticas duras em função de suas supostas  “obscenidade” e “desrespeito à moral”. Se a recepção difícil pode ser atribuída em parte à abordagem de temas tabu, como o incesto e a repulsa e atração obsessiva pelo sexo, seu motivo maior foi, sem dúvida, como atestam seus comentadores, a tematização do racismo na sociedade brasileira. A peça A Missão: Lembrança de Uma Revolução foi escrita por Heiner Müller em 1979 e estreou em 1980 no próprio Volksbühne de Berlim Oriental, sob a direção de Müller e de Ginka Tscholakowa. A peça evoca cenicamente um plano de revolta dos escravos da Jamaica, nos anos seguintes à Revolução Francesa, tendo por base a narrativa A Luz Sobre a Forca (1961), de Anna Seghers. 

FRANK CASTORF

Frank Castorf nasceu na Berlim Oriental em 17 de julho de 1951. Estudou Estudos Teatrais na Humboldt-Universität zu Berlin e trabalhou inicialmente como dramaturgo no Teatro Senftenberg e depois como diretor no Teatro de Brandemburgo. De 1981 até uma demissão sumária por motivos políticos, em 1985, ele foi diretor de teatro no Theatre Anklam. Nos anos seguintes, encenou peças de García Lorca, Goethe, Shakespeare, Lessing, Lenz, Schiller, Ibsen, Brecht e vários textos de Heiner Müller em vários teatros da RDA (Halle, Gera, Karl-Marx-Stadt) e a partir de 1988 também na FRG e na Suíça. De 1990 a 1992, foi diretor residente no Deutsches Theater Berlin. Na temporada de 1992/93, Frank Castorf assumiu o cargo de Diretor Artístico do Volksbühne am Rosa-Luxemburg-Platz, em Berlim, onde sua produção Räuber von Schiller já havia estabelecido novos padrões para o teatro contemporâneo nos anos 1990. Sob sua direção e com Bert Neumann (1960–2015) como cenógrafo-chefe, o Volksbühne tornou-se uma instituição de renome mundial, criando uma influência duradoura no teatro de língua alemã e percorrendo todos os continentes do mundo com performances célebres. Frank Castorf também trabalhou como diretor convidado em outros teatro e óperas em cidades como Basileia, Hamburgo, Munique, Estocolmo, Viena, Zurique, Copenhague, São Paulo, Stuttgart e Paris. Durante um período de 25 anos, Castorf criou mais de 100 produções e transformou algumas delas em filmes, entre eles Dämonen (Os Demônios), de Dostoiévski e Der Idiot (O Idiota). Seu trabalho oscila dentro da tensão entre o pensamento oriental e ocidental, o que é evidente em sua investigação dos trabalhos de Fiodor Dostoiévski, Tennessee Williams e Eugene O'Neill, a quem dedicou inúmeras produções. Ele se baseia em grande parte da literatura européia dos últimos 2500 anos como material e se refere não apenas ao cânone clássico, mas também a seus discrepantes. Em 2013, celebração do 200º aniversário de Richard Wagner, Castorf dirigiu uma produção controversa e célebre de Der Ring des Nibelungen (O Anel do Nibelungo). Desde o final de seu mandato como Diretor Artístico no Volksbühne am Rosa-Luxemburg-Platz, em agosto de 2017, Frank Castorf trabalha como diretor freelancer ou, como ele mesmo diz, “como vagabundo e incendiário”. Vários membros de seu antigo grupo no Volksbühne ainda trabalham com ele. Castorf estreou três produções em grande escala desde então, na Schauspielhaus Zürich, no Berliner Ensemble e na Deutsches Schauspielhaus Hamburg. Seu trabalho como diretor de teatro rendeu muitos prêmios, incluindo o Prêmio Fritz-Kortner, o Prêmio de Teatro Berlim da Stiftung Preußische Seehandlung, o Prêmio NESTROY, o Prêmio do Instituto Internacional de Teatro, o Prêmio Schiller da cidade de Mannheim, a Ordem de Mérito de Berlim, o Friedrich-Luft-Award, o Golden Laurel Wreath Award do Festival Internacional de Teatro MESS, o German Theater Award DER FAUST e o Großer Kunstpreis Berlin (2016). Frank Castorf é membro da Academia de Artes de Berlim, da Academia Alemã de Artes Cênicas e membro pleno da Academia de Belas Artes da Baviera. 

ANJO NEGRO de Nelson Rodrigues com a lembrança de uma revolução: A MISSÃO de Heiner Müller

 

Adaptação e direção: Frank Castorf | Com: Denise Assunção, Roberto Áudio, Darcio de Oliveira, Janaina Leite, Georgette Fadel, Irina Kastrinidis, Gal Quaresma, Joyce Barbosa, Lucélia Sérgio, Mawusi Tulani, Sidney Santiago, Tatiana Ribeiro, Tayrone Porto | Cenário e figurinos: Thiago Bortolozzo, Arianne Vitale Cardoso, Renato Rebouças | Dramaturgista: Matthias Pees | Consultores artísticos: Antonio Araújo (Elenco), Bert Neumann (Cenário e figurinos) | Assistentes de direção: Bernadeth Alves, Annette Ramershoven | Tradução: George Sperber (ensaios), Christine Röhrig (“A Missão” de Heiner Müller) | Trilha Sonora: André Lucena, Edson Junior | Canção da Virgínia: Denise Assunção (Música e arranjo) | Vídeo: Marília Halla | Câmera: Dario José, Walter Marinho | Luz: Irene Selka, Ivan Andrade | Som: André Lucena, Cassandra Mello (Boom) | Direção técnica e construção: Julio Cesarini | Cenotécnicos e contra-regras: Ednomar Mendonça, Wiliam Torres, Nelson Fracola Filho, Rodrigo Veronese, Juliano Fabricio de Freitas | Camareira: Clarissa Mastro

 

Produção: prod.art.br | Direção de produção: Ricardo Muniz Fernandes | Administração: Veridiana Gomes Fernandes | Estagiário: Ricardo Frayha 

 

Realização: Goethe-Institut São Paulo, Sesc São Paulo | Apoio: Kulturstiftung des Bundes | O projeto integra a Copa da Cultura Brasil+Deutschland 2006, uma iniciativa do Ministério de Cultura (MinC).

Sesc Vila Mariana

São Paulo, SP, Brasil

01 a 10/12/2006