Anohni and the Ohnos (Sesc Vila Mariana)
Anohni and the Ohnos (Sesc Vila Mariana)

©Sesc

press to zoom
Anohni and the Ohnos (Sesc Vila Mariana)
Anohni and the Ohnos (Sesc Vila Mariana)

©Sesc

press to zoom
Anohni and the Ohnos (Sesc Vila Mariana)
Anohni and the Ohnos (Sesc Vila Mariana)

©Sesc

press to zoom
Anohni and the Ohnos (Sesc Vila Mariana)
Anohni and the Ohnos (Sesc Vila Mariana)

©Sesc

press to zoom
Anohni and the Ohnos (Sesc Vila Mariana)
Anohni and the Ohnos (Sesc Vila Mariana)

©Sesc

press to zoom
Anohni and the Ohnos (Sesc Vila Mariana)
Anohni and the Ohnos (Sesc Vila Mariana)

©Sesc

press to zoom

Música & Dança | CRIAÇÃO | 2015

ANOHNI

YOSHITO OHNO

Anohni and the Ohnos

A primeira vez que vi uma imagem de Kazuo Ohno foi quando eu frequentava uma escola em Angers, França, aos dezesseis anos. Fui imediatamente enfeitiçado. Quem era aquele belo ser, usando um vestido vitoriano e maquiagem pesada, pendendo em direção às estrelas? O homem que estava colocando os pôsteres me deu um para que eu levasse pra casa. Mesmo não sabendo o nome de Kazuo Ohno, coloquei aquela imagem sobre minha cama, onde até hoje ela continua. Mal podia imaginar que cinco anos depois esse misterioso dançarino se tornaria minha maior inspiração. Aos dezenove anos me mudei para Nova York com o sonho de me tornar uma cantora da noite. Eu cantava minhas músicas em clubes noturnos às duas da manhã, junto com fitas pré-gravadas que misturavam certos arranjos com o som da estática. Eu me movia devagar e cantava intensamente; eu procurava a libertação; eu queria transcender a dor que eu via no mundo ao meu redor, na minha comunidade, no meu ambiente, na minha própria psique. Em 1991 assisti a um filme experimental de Peter Sempel chamado Just Visiting This Planet [Apenas visitando este planeta]. Num certo ponto, um performer andrógino aparece na tela, dançando ao lado de um penhasco, espelhando as rochas despedaçadas com suas mãos expressivas. Fui transportado por essa graça infantil, uma graça de partir o coração; comecei a chorar. Fui para casa e fiquei chocado ao perceber que aquele homem era o mesmo do pôster sobre minha cama, agora dançando diante de meus olhos. Depois de saber mais sobre Kazuo Ohno, comecei a estudar Butô com Maureen Flemming em Nova York. Maureen ela mesma havia estudado com Kazuo e Yoshito Ohno, bem como com Min Tanaka, e estava adaptando alguns de seus ensinamentos para que estudantes ocidentais os entendessem melhor. Ela me convidou para seguir borboletas enquanto elas vibravam dentro de meus órgãos. Me aconselhou a conectar cada um de meus movimentos com um fluxo imagético criativo interno que se nutria do mundo natural e do mundo dos espectros. Meus pés se tornaram as raízes de uma árvore; uma garota incandescente emergiu de meu plexo solar, e eu a segui com prazer através do quarto. Explorei minha fragilidade, eu pendi em direção ao sol. Eu gritei como uma flor cega; nadei rio acima como um salmão, com pequenas sementes de oxigênio borbulhando por entre minhas escamas. Eu sou um garoto morto estirado sob a terra, tornando-me carbono, ferro e minérios. Estou curvando como as pétalas de uma rosa, como os dedos de um rato seco. A água escoa de meu corpo em direção à terra, preenchida pelas memórias de meus ancestrais; sou um paramécio separando-se em dois; sou um dinossauro, uma erupção da carne que ferve. As árvores me olham com o seus olhos verdes semicerrados. Eu sinto medo. As linhas brancas do vestido de minha mãe, como os anéis de uma árvore, me atraem para seu círculo. Ela toca meu rosto e eu começo a chorar. Estrelas caem dos buracos da minha cabeça. Kazuo Ohno me deu o maior dos presentes, a revelação de uma criança interna, uma Criança Divina. Se eu puder cuidar dessa criança até à vida, se eu puder segurá-la, se eu puder protegê-la, há esperança para mim.

Anohni

 

 

YOSHITO OHNO

Nascido em Tóquio em 1938, Yoshito Ohno estreou no papel de garoto em Kinjiki (Cores Proibidas), dirigido por Tatsumi Hijikata em 1959. Ao longo dos anos 1960, atuou diversas performances de butô se aposentar em 1969. Seu retorno foi em 1985, quando apareceu ao lado de Kazuo Ohno em Dead Seas; depois disso, continuou a dirigir todas as apresentações de Kazuo Ohno. Figura icônica do butô, se apresentou no mundo todo e ensinou butô no estúdio de seu pai em Yokohama até seus últimos dias. Faleceu em janeiro de 2020. 

ANOHNI

 

Nascida em 1971 na Inglaterra, é uma cantora, compositora e artista visual americana. Depois de passar por algumas bandas nos anos 1990, formou a banda Antony and the Johnsons em 2000. Sua voz marcante e paradoxal chamou a atenção de diversos artistas, resultando em diversas colaborações, entre as quais pode-se destacar aquelas com Lou Reed, Boy George, Bryan Ferry, Rufus Wainwright, CocoRosie, Leonard Cohen, Devendra Banhart e Björk. Recebeu diversos prêmios, entre eles o Mercury Prize Awards.

ANOHNI AND THE OHNOS


vocal e piano: Anohni | butô: Yoshito Ohno | violino e violão: Rob Moose | dançarina: Johanna Constantine | figurino: Etsuko Ohno | camareira: Mikako Ohno | gerente de turnê: Shingo Satoh | iluminação: Toshio Mizohata | sonoplastia e vídeo: Noriaki Coda | Extratos de vídeo de Mr. O’s Book of the Dead de Chiaki Nagano | Vídeo editado por Koki Tange e Yuhei Urakami


ANTONY AND THE OHNOS se apresentou previamente em Tóquio em 2010, organizado pelo Kazuo Ohno Dance Studio e Canta Co.ltd, e no festival Meltdown, em Londres, em 2012.


Apoio Japan Foundation, Kazuo Ohno Dance
Studio, Canta Co.ltd. e n-1 edições

 


Produção: prod.art.br | Direção de produção: Ricardo Muniz Fernandes, Ricardo Frayha


Realização: Sesc São Paulo

Sesc Vila Mariana

São Paulo, SP,  Brasil

01 e 02/07/2015

Antony and the Ohnos.jpg