Terra em Trânsito
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©divulgação/Oi Futuro

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Um Bloco de Gelo em Chamas
Um Bloco de Gelo em Chamas

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Brasas no Congelador
Brasas no Congelador

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Asfaltaram a Terra (ensaios)
Asfaltaram a Terra (ensaios)

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Asfaltaram a Terra.jpg

Teatro | CRIAÇÃO | 2006

GERALD THOMAS

Asfaltaram a Terra

O projeto Asfaltaram a Terra é uma homenagem ao centenário de Samuel Beckett (1906-1989). Inspirado no dramaturgo irlandês, Gerald Thomas criou quatro espetáculos simultaneamente:

BRASAS NO CONGELADOR

 

Protagonizado por Sérgio Groisman, pela primeira vez no teatro. Seis homens vestidos de forma igual militam numa organização, mas não sabem bem qual é a ideologia. Alistaram-se através da internet. Sérgio chegou a pegar 16 táxis para chegar até lá, sendo que o último táxi, por acaso, era o primeiro, então, de nada adiantou tanto disfarce. O codinome de cada membro é mudado a cada 3 minutos, de forma que ninguém está seguro de nada. Cada um trouxe uma valise e, num certo momento, elas são abertas. A valise de Groisman emite muita luz. "Urânio processado", todos pensam; já que seria essa a proposta da organização clandestina. Quando todos, em uníssono, exclamam URÂNIO!!!!, Sérgio morre de rir e diz: "Não, isso aqui é brasa que guardo no meu congelador. Vim para um churrasco. Pelo menos é o que dizia o site que eu abri. Vocês não?" E discursa sobre Auschwitz. No final, durante a crucificação de Jesus, percebe-se que a organização nada mais é do que a máfia das grifes, dos perfumes e que as valises continham essências. "Imaginem, seus imbecis, se alguém guarda brasas no congelador! Está tudo tão torto como nesse país! Ninguém mais enxerga nada, ou engole aquilo que escolhe engolir, tamanha é a ignorância! E vamos aos perfumes!!!"

 

ASFALTARAM O BEIJO 

 

uma homenagem à Samuel Beckett, protagonizado por Gerald Thomas. Em 2006 comemora-se os 100 anos do nascimento de Samuel Beckett. Gerald Thomas, como amigo do autor e representante dele em textos inéditos montados em Nova York na década de oitenta, com o mais absoluto sucesso e repercussão internacional, descreve como era o relacionamento deles a partir de um "crime" que ocorre durante um exercício fisico que ele mesmo ministra como diretor cênico, "aquecendo" o grupo de teatro, antes deles entrarem em cena. Um ator morre. Não se sabe se um crime foi cometido. Mas enquanto a investigação prossegue, ele descreve, paralelamente, como eram os seus encontros com Samuel Beckett em Paris, na década de 80, tendo como pano de fundo a famosa foto publicada na revista BRAVO do mês de janeiro de 2006. Gerald percebe que o corpo morto, na verdade, é seu duplo, e a repórter que veio cobrir o crime para a televisão, era uma ex-amante (e informante de uma organização criminosa chamada Ministério de Si Mesmo) que ele confunde com outras. Mesmo assim a paixão momentânea se dá como uma combustão. Os espetáculos de Beckett também são assim, às vezes curtos, às vezes longos demais: secos e, aparentemente, vazios. No entanto, assim como na vegetação árida de Beckett, um corpo morto ou uma paixão ou uma palavra mal empregada pode ser somente uma miragem.

UM BLOCO DE GELO EM CHAMAS

 

Escrito especialmente para Luiz Damasceno. Damasceno faz o papel de uma senhora, a primeira Dama do teatro e cinema nacional, que se encontra no meio de uma filmagem. Trata-se de um filme B horrível, mas ela tem que desempenhar seu melhor papel porque o diretor é seu "marido" e sua a carreira está em total declínio. Em meio a filmagens, Dama descobre que o diretor tem um caso com um coadjuvante (praticamente um amador), e tem uma verdadeira explosão de ódio, e vinga- se. Sai pela cidade com algemas e chicote na mão, pelos clubes sado-masoquistas a fim de fazer conquistas. É descoberta pela policia, que a reconhece. Em sua bolsa, a policia descobre carne humana......do Fausto Silval, o Faustão, aquele da TV. "Mas ele esta vivo", ela reclama. "É só ligar a TV amanhã, e vê-lo. E que ele queria fazer uma lipo, e eu peguei uma faca... Sério". Ela seduz os policiais e a estória vai para um lado mais grotesco ainda. Ela se torna cômica quando a nossa Dama vai fazer um exame de sangue e acredita estar em estado terminal, pois o resultado dele há algo como "quando alguma luz, nenhuma. Quando um foco, pouco..." e assim por diante: ou seja, não é sequer terminologia médica. Parece um texto de Beckett mal copiado. "E o médico disse mais?" pergunta o parceiro da nossa Dama, indignado. "Disse. Disse que era pra eu procurar uma árvorel O final é uma miragem tão gélida quanto naquele dias em que o mundo vivia a Guerra Fria, o telefone vermelho e a nossa primeira Dama eram convidados para festas no Kremlin.

 

TERRA EM TRÂNSITO

 

Protagonizado por Fabiana Gugli e um cisne. Uma diva se encontra dentro de um camarim em processo de concentração e esquentamento. No rádio, um discurso politicamente incorreto na voz de Paulo Francs comentando a atual crise politica nacional e internacional, Fabi tenta, várias vezes, desligar o rádio, mas ele se religa por conta própria. E as palavras voltam a agredi-la. O texto da Fabi é lúdico, verborrágico e semi-biográfico e nos remete ao universo das estrelas como Judy Garland ou Bette Davis. Nervosa, Fabi se ajeita no espelho, faz exercício na barra, fala pelos cotovelos, fuma, cheira, ajeita o cabelo, cola o ouvido na parede o tempo todo, até que ouve passos. Eles passam direto. Primeiro sinal, Um pouco mais nervosa, ela continua sua maratona dentro do camarim, o cisne judeu fala, acusa, tira sarro dela o tempo todo, enquanto ela, a diva, mente (movement-in-motion) pra que, um dia, ele vire "patê de foi-gras" em Strasbourg. Francis volta a interferir, dessa vez num discurso que nos remete a Terra em Transe, de Glauber, sobre como e quando fazer a revolução através da arte e se isso ainda é possível. Segundo sinal. Nada. Passos do lado de fora e um certo barulho da plateia. Ela tenta abrir a porta. Está trancada. Ela berra. Esmurra a porta. Chama pelos contra-regras mas é ignorada. Fabi se enfia num canto, está com medo. Quase sem ação ela ouve o terceiro sinal e aplausos. Alguém entrou no palco e está dançando. Não é ela. Ela percebe que existe um armário nesse camarim. Abre a porta dele e... blackout!

GERALD THOMAS

Gerald Thomas (1954, Rio de Janeiro) é dramaturgo e diretor de teatro e ópera, tendo passado sua vida entre os Estados Unidos, Inglaterra, Brasil e Alemanha. Thomas começou sua vida no teatro no La MaMa E.T.C., de Ellen Stewart, em Nova York. Durante esse período, Thomas tornou-se um ilustrador da página Op-Ed do New York Times enquanto conduzia workshops no La MaMa E.T.C., onde ele adaptou e dirigiu estreias mundiais de prosas e peças dramáticas de Samuel Beckett. No início dos anos 80, Thomas começou a trabalhar com Beckett, adaptando novas ficções do autor. Destes, os mais notórios foram All Strange Away e That Time, estrelando o fundador do Living Theatre, Julian Beck, em seu único papel como ator fora de sua própria companhia. Em meados dos anos 80, Thomas se envolveu com o autor alemão Heiner Müller, dirigindo seus trabalhos nos EUA e no Brasil, e iniciou uma longa parceria com o compositor americano Philip Glass. Em 1985, Thomas formou e estabeleceu sua Companhia de Ópera Seca em São Paulo. Suas produções históricas nos anos 80 e 90 tornaram Thomas uma das figuras mais importantes do teatro brasileiro. Dirigiu atores renomados como Fernanda Montenegro, Tônia Carrero, Sérgio Britto, Ney Latorraca, Marco Nanini, Fernanda Torres, entre muitos outros. Seus trabalhos foram apresentados em mais de 15 países e Thomas encenou trabalhos para a Ópera de Stuttgart, o Teatro Estadual de Munique, Pontedera e Volterra, a Ópera de Graz, o Deutsches National Theatre Weimar, no Deutsches National Theatre Mannheim, a Bonn Opera House, entre outros.

ASFALTARAM A TERRA

autoria e direção : Gerald Thomas | elenco: Fabiana Gugli [Terra em Trânsito], Luiz Damasceno [Bloco de Gelo em Chamas], Serginho Groisman [Brasas no Congelador], Gerald Thomas [Asfaltaram o Beijo] e Amadeo Lamounier, Andrés Pérez Barrera, Anna Américo, Edson Montenegro, Fábio Pinheiro,  Gerson Steves, Juliano Antunes, Luciana Ramanzini, Milena Milena, Narciso Tosti, Pancho Cappeletti, Péricles Martins, Renata Ferraz, Sonia Lopes | assistente de direção: Ruy Filho e André Bortolanza | cenário e direção de cena: Domingos Varella | trilha e som: Edson Secco | luz: Aline Santini | figurino: Antônio Guedes | técnico de som: Roberta Siviero

 

produção: ComCreta Produções | direção de produção: Isabela Carvalho e Villy Ribeiro | assistente de produção: Carolina Maroni | estagiário de produção: Ricardo Frayha | produtora associada: Pequena Central de Produções

Realização: Sesc São Paulo

Patrocínio: Eletrobrás

Sesc Vila Mariana

São Paulo, SP, Brasil

Estreia 27/04/2006