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Exposição | CRIAÇÃO | 2017

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THE LIVING THEATRE

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Living Theatre, presente!

Num espaço expositivo e cênico, a trajetória septuagenária de um dos maiores grupos do teatro experimental é reconstruída por meio de fotos, filmes, cartazes, desenhos, depoimentos e textos, com especial atenção a sua passagem pelo Brasil nos anos 70. Um lugar de referência e da memória, aberto à convivência e à criação, a exposição abriga e ativa os traços e os fundamentos, as bases e as decorrências das encenações e ações diretas sobre a realidade do grupo americano.

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THE LIVING THEATRE

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Fundado em 1947, em Nova Iorque, por Judith Malina e Julian Beck, o Living Theatre já estava, em seu nascimento, diretamente ligado a uma importante renovação no território teatral da segunda metade do século XX. Junto a outros grupos experimentais nova-iorquinos, deu origem ao movimento off-Broadway, ocupando pequenos teatros ou adaptando armazéns desativados e visando discutir em cena temas da atualidade e a própria natureza do fazer teatral, numa estrutura frontalmente contrária às produções voltadas para o sucesso de bilheteria e o entretenimento fácil. Bastante influenciado inicialmente pela tradição do teatro político do alemão Erwin Piscator – de quem Judith Malina foi aluna e por meio do qual tomou contato com o teatro épico de Bertold Brecht – o Living Theatre associou às teorias do teatro engajado de visão marxista outras referências poéticas, filosóficas e teatrais, direcionando-as para uma obra e uma postura política voltadas à revolução não violenta e ao anarquismo. Absorvendo e antecipando características, percepções e comportamentos típicos da revolução cultural ocorrida após a Segunda Guerra Mundial, o grupo veio a se tornar conhecido como o teatro da contracultura, engajando-se em manifestações teatrais de rua e realizando na cena uma inesperada combinação da racionalidade do teatro dialético com o teatro da crueldade de Antonin Artaud. Tendo o ativismo político e o entrelaçamento entre arte e vida como suas grandes marcas, o Living Theatre manteve constante em suas criações a colaboração com ativistas, em torno de diversas lutas e numa relação direta com as questões mais urgentes da realidade. Enfrentando, por vezes, as dificuldades práticas da manutenção de uma proposta estética contestatória – a complexa equação entre a necessidade de financiamento das produções e o desejo de não cobrar ingressos, por exemplo, além das constantes mudanças de endereço motivadas frequentemente por problemas com o Estado – o grupo obteve seu primeiro grande sucesso com A Conexão (The Connection), de 1959, cujo hiper-realismo no retrato de um grupo de usuários de heroína gerou um misto de surpresa e encanto no público e, a partir da qual, os atores passaram deliberadamente a representar a si mesmos. Desde então, a companhia passou a excursionar pela Europa e a ser aclamada nos mais importantes festivais como o Festival das Nações, de Paris, em 1961, e o Festival de Avignon, em 1968. Ao mesmo tempo, a radicalidade de suas criações não deixou de gerar controvérsias e extremas reações repressivas, como foi o caso de sua expulsão de Avignon pelas autoridades locais com sua peça Paraíso agora (Paradise now). Em 1970, o grupo veio ao Brasil a convite de José Celso Martinez Corrêa, diretor do Teatro Oficina, que os conhecera em Paris naquele mesmo ano. No ano seguinte, quando o grupo preparava um trabalho paralelo para o Festival de Inverno de Ouro Preto, em Minas Gerais, teve sua prisão decretada pelo DOPS, o que repercutiu internacionalmente e mobilizou ações de protesto na Europa e EUA, levando-os a serem expulsos do país por decreto presidencial – Judith Malina só viria a ter sua entrada no país liberada em 1990, por meio da revogação do decreto de 1971 pelo então presidente Fernando Collor e seria condecorada, como forma de reparação, com a Ordem do Mérito Cultural pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2008; Julian Beck falecera em 1985. Nas décadas seguintes, o Living Theatre continuaria sua atuação alternando-se entre longos períodos de residência na Europa – passando pela Bienal de Veneza em 1975 –, excursões pelo interior dos Estados Unidos e o estabelecimento de sedes com maior ou menor longevidade em Nova Iorque. Mesmo com a morte de Judith Malina, em 2015, o grupo continua ativo, a seu pedido, operando coletivamente com a orientação de várias gerações de membros da companhia. Sua trajetória septuagenária, que conta com cerca de cem peças, representadas em oito línguas, em 28 países, constitui uma das maiores referências da vanguarda teatral mundial e
segue inspirando novas gerações teatrais.

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LIVING THEATRE, PRESENTE!

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Curadoria: Andrea Caruso Saturnino, Ines Cardoso e Ricardo Muniz Fernandes | Consultoria artística: Ilion Troya | Concepção e projeto espacial: Simone Mina | Arquiteto assistente: Vinicius Cardoso | Concepção de luz: André Boll | Ambientação sonora: Livio Tragtenberg | Vozes: Alessandra Fernandez, Antonio Salvador, Beatriz Sayad, Helena Albergaria e Sérgio Mamberti | Tradução de textos: Beatriz Sayad, Ilion Troya e Julio Jeha | Video instalação: Lucas Bambozzi, Mariana Lacerda, Edouard Fraipont e Lucas Gervilla | Pesquisa: Alessandra Vanucci, Ilion Troya e João Moreira | Design gráfico e comunicação visual: Érico Peretta e Nika Santos | Fotos (programa): Leo Feltran | Revisão e edição de conteúdo: Daniel Cordova | Coordenação técnica: Julio Cesarini e Carol Bucek | Coordenação de vídeo, legendagem e edição: Rodrigo Gava | Cenotécnicos: Enrique Casas, Fernando Zimolo, Rafael Alcântara e Wanderlei Wagner da Silva | Assistentes de montagem: Rick Nagash, Jemima T e Carolina Bertier | Produção: Performas Produções Artísticas e prod.art.br | Direção geral: Andrea Caruso Saturnino e Ricardo Muniz Fernandes | Coordenação de produção: João Moreira | Produção executiva: Ricardo Frayha

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Realização: Sesc São Paulo

Sesc Consolação

São Paulo, SP, Brasil

31/10/2017 a 27/01/2018

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